 |
Antes de escrever qualquer artigo, costumo dar um passeio em busca de informações, principalmente para saber se o que pretendo dizer já foi dito, ou, se além de trazer alguma novidade, posso falar expletivamente dando algum sentido novo ao assunto que já foi abordado.
Penso que foi o inteligente e debochado Nelson Rodrigues quem disse que “brasileiro tem complexo de vira-latas”!
Artigos e mais artigos desde os mais banais aos mais complexos, podem ser encontrados sobre esse fenômeno.
Estes dias voltei a pensar no assunto, tendo a possibilidade de fazer uma avaliação mais ampla, já que tive o privilégio de morar fora do Brasil por sete anos, e pelas muitas viagens já realizadas no exterior ministrando palestras.
Fico intrigado quando vejo uma meia dúzia de sobreviventes daquelas ideologias comunistas em seu lado mais negro ou mais ameno (“light”) - vociferando contra as “elites”, “globalização”, “Imperialismo Capitalista”, “Yankees” & CIA. – mas que superlotam estádios ou passam semanas a fio debaixo de lonas para comprar um ingresso, a fim de escutar o LIXO musical produzido nos USA e interpretados por um bando de apopléticos!
Não quero falar dos filmes, nem da Coca-Cola, nem do “junk food”, que é todo um caso à parte.
Por exemplo: este artigo é mais ou menos “chique”, porque está entremeado de palavras em Inglês! Hum...
Não é que fulano sabe falar Inglês? Hum...
Ainda lembro (já faz quase 15 anos) quando ao retornar dos Estados Unidos (me chamaram de louco, porque estava lá com a família legalmente, com ótimo salário, carro de graça, casa de graça, e plano de saúde, secretário particular, etc.) fui recebido como um príncipe aqui no Brasil, e Igrejas que jamais fizeram um convite, logo estavam me convidando para pregar lá!
Pus-me a pensar e comentava em casa: “Rapaz, como ter sido pastor nos USA abre portas”!
Não tenho nada contra aquela Nação que recebeu-nos com tanto carinho, nunca me senti discriminado, jamais fui tratado com acepção.
Penso que o mal está em nossa cabeça! Foram os próprios espias de Israel, que quando enviados por Moisés, retornaram após a missão, dizendo: “éramos como gafanhotos aos nossos próprios olhos”.
Temos problemas estruturais no Brasil? Com certeza.
Uma cultura maculada por hábitos ruins? Sim.
Um sistema sócio-econômico-político (poderia entrar aqui em discussões sobre teorias econômicas que tentam explicar riqueza ou pobreza das nações desde a religião até o determinismo no DNA, mas não vem ao caso, não é minha “praia” e já existe excelente material sobre isso por ai) seria um dado interessante a ser considerado? Certamente!
Mas o ponto fundamental é no meu modo de ver, a questão da mentalidade.
Temos cantores como um Nelson Gonçalves ou Cauby Peixoto, que são infinitamente superiores a um Frank Sinatra.
Cantoras como uma Dalva de Oliveira, Dolores Duran, Ângela Maria e Elis Regina, muito melhores que uma Edith Piaff.
E poderia descambar aqui para inúmeras outras áreas que não é o propósito central da presente matéria.
Veja então, o deslumbramento de nossos críticos, artistas e músicos diante daquelas cerimônias manipuladas - quer seja o “Oscar”, o “Ammy”, “ Grammy” (compradas pelos interesses do momento, da Política, Mídia, Industrias das Gravadoras, Produtoras, Mercado, etc.) ou o tal do prêmio “ Nobel” ?
O Brasil pára pra ver e torcer - principalmente os que criticam aquelas estruturas – e depois se põem a julgar depreciativamente.
Agora, vamos falar claro?
Por qual motivo os que não gostam do Brasil, e só sabem viver amargurados a compará-lo com os “bons países desenvolvidos, civilizados”, os críticos de plantão, não vão todos morar nesses lugares paradisíacos?
Será pelo fato de não conseguirem vencer lá fora?
De caírem no mais completo esquecimento aqui, já que lá sequer têm existência reconhecida?
E o consumo de roupas, artigos fabricados lá fora, marcas de “griffe” internacional, que os atoleimados gastam tudo que possuem para comprar?
A receita é simples: parem de xingar os gringos ou então sejam sensatos como Mahatma Ghandy e aqueles milhões de Indianos que motivados por seus discursos, passaram a confeccionar suas próprias vestimentas, andando cobertos de saco!
Ou parem de tomar Coca-Cola como eles pararam de comprar o sal, indo buscar todos diretamente no mar (A Marcha do Sal).
Ou ainda, vamos fazer uma campanha para tirar todos os nomes de ruas que fazem homenagens a estrangeiros que não significam absolutamente NADA para nós, trocar as placas das lojas com nomes americanos, italianos, franceses (advirto que vão cair as vendas) e valorizar nossa cultura, aprimorando assim o que existe aqui e é nosso?
Não sou Nacionalista – sou cidadão do planeta – mas também não sou entreguista, complexado, de achar que algo lá fora é melhor que aqui - embora evidentemente entenda que algumas coisas são de fato melhores lá assim como outras são melhores aqui – sou contra a Incoerência!
Mas que o complexo existe, é pura verdade.
E nada a meu ver, o tem revelado melhor, do que o sucesso que o Presidente Lula faz no exterior.
A galera intelectualóide (porque não acredito que razão pura entre aqui, já que não há explicação lógica), pois bem, os letrados, poliglotas, de ascendência nobiliárquica “quase real”, não podem segurar a dor no cotovelo e coceira na língua, vendo um brasileiro desse chão - desse barro tão distante daqueles cristais e porcelanas que caracterizam a nobreza lá fora – seja o Brasil de cabeça erguida!
Mas não poderia (apressam-se a dizer os “nobres “de cá, aqueles que sabem das coisas), alguém por obséquio dizer pro Presidente que “nós não podemos falar como ele fala diante do mundo”? Não se pode tratar a nobreza do Reino Unido assim...
Nem dirigir-se à sua excelência Barak Obama com esses termos...
Será que ele esqueceu que somos brasileiros? “Complexados”? Sub-Produtos, quando a seleção natural privilegiou outros povos em detrimento do nosso”?
Viram o comportamento dele por ocasião da decisão sobre a sede das Olimpíadas?
Assim não dá presidente Lula:
Não esqueça que somos “Vira –Latas” (!?)
Darckson Lira.