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Como eterno aprendiz que sou, tendo devotado toda a minha vida consciente a essa busca, ponderei excessivamente ao fazer uma abordagem sobre esse tema.
Não vou tocar os conceitos clássicos sobre a "verdade", afinal, eles podem ser encontrados aos milhares em belas e intricadas definições por meio de qualquer instrumento de busca na Internete ou em livros.
Seja na mais rígida concepção da ortodoxia filosófica ou nas correntes do pensamento mais liberal, na irredutibilidade dos dogmas religiosos ou no laxismo de ideologias heterodoxas, na intransigência dos que se deixam cegar por valores absolutos ou na leniência extrema dos que a tudo contemporizam só enxergando perspectivas relativas, a questão da " verdade sobre a Verdade", é tema milenar de debates!
Já falei por diversas vezes em seminários e palestras, que meu papel como educador, é fomentar discussões, abrir espaços para a contemplação de teorias e fatos sob ângulos diversos, na tentativa de abrir novos caminhos e expandir a fronteira dos pensamentos.
Acho que quando Pilatos interrogou a Jesus Cristo e fez "A" pergunta: " O que é a verdade", obtendo como resposta o silêncio, recebeu a mais elevada concepção sobre a mesma.
Por que aquele silêncio?
Não sei, mas tenho algumas idéias a respeito.
Estará a verdade presente no fato da encarnação, sendo ele em si mesmo o mega-conceito do absoluto que se relativiza? Se assim não fosse, como a alcançaria a humanidade?
Gosto de certo evangelho apócrifo, que coloca nos lábios de Jesus a seguinte resposta: "Onde ela reina não há paz. E onde existe paz, não há verdade alguma"! (quem lê entenda...)
Não creio que a verdade esteja naqueles que bradam em alta voz, nos que proclamam aos quatro ventos que a possuem, nos que discursam de forma eloqüente com retórica convincente, nos que vociferam - por meio de escritos prolixos - a grandeza de complicados raciocínios, tampouco nos que argumentam tão bem, que chegam quase a convencer o mundo.
Encanta-me a verdade presente naquele silêncio!
Maravilha-me a verdade que Ele viveu.
A verdade presente no partir do pão, no alívio e socorro dados aos necessitados, no insurgir-se contra sistemas prontos e fechados.
A verdade solta por aquelas estradas, na solidariedade daquela face redentora banhada em lágrimas diante dos sofrimentos e da insensibilidade dos homens.
Mas aquele silêncio causa-me maior espanto, tanto quanto mais envelheço, à medida que percebo a arrogância com que filósofos e religiosos se digladiam para impor "suas verdades".
Reverencio aquele silêncio, porque a cada dia compreendo melhor, que não se chega à verdade, aprendendo conceitos, decorando fórmulas ou escrutinando livros e livros...
Não podemos alcançá-la meramente fazendo cursos ou escutando discursos: ou elevaremos nossa consciência a ela, ou definitivamente não saberemos a verdade sobre a Verdade.
Logo, vejo com enorme repulsa e desdém, a forma arrogante com que pessoas por ai gritam "em nome da verdade", posam de donos da verdade, e ridicularizam os que não pensam como eles.
O que é a verdade?
Jesus calou...
Talvez esse silêncio tenha muito a ver com aquele episódio narrado pelo magnífico Miguel de Unamuno:
"Mas, senhor padre Manuel, a verdade, a verdade, acima de tudo, ele, a tremer, sussurrou-me ao ouvido - e isso apesar de estarmos sozinhos no meio do campo: - A verdade? A verdade, Lázaro, é porventura uma coisa terrível, uma coisa intolerável, uma coisa mortal; as pessoas simples não conseguiriam viver com ela."
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